
Dúvidas, sugestões, receitas de empadão e simpatias serão bem-vindas.
P.S - este blog NÃO tem atualização constante, mesmo porque a gente só escreve quando dá vontade. Qualidade é melhor que quantidade :)
P.S 2 - os textos deste blog são REGISTRADOS, portanto, se você resolver copiar sem dar créditos, será processado e terá que vender as suas calças para nos indenizar.
Nome:
Rachel
Nascimento:
07/07/79
Naturalidade:
Rio de Janeiro
Subúrbio de Origem:
Bonsucesso
Período de Moradia Suburbana:
1979
a 1990
Definição de Suburbio:
Banho
de Mangueira
Nome:
Cris
Nascimento:
30/01/78
Naturalidade:
Rio de Janeiro
Suburbio de Origem:
Vila da Penha
Período de Moradia Suburbana:
1978
a 1997
Definição de Suburbio:
Cadeiras
de praia que só servem pra botar na calçada
em frente ao portão de casa pra fazer fofoca com a
vizinha do lado.
Nome:
Rafael
Nascimento:
08/03/1980
Naturalidade:
Rio de Janeiro
Suburbio de Origem:
Méier
Período de Moradia Suburbana:
1980
até hoje
Definição de Suburbio:
Pronúncia
errada do nome do próprio bairro, casa do vô
e da vó, carros rebaixados com pneus e aparelhagens
de som que custam mais que o próprio carro, ir e voltar
da praia de ônibus, fazendo algazarra.
Nome:
Lia
Nascimento:
21/02/1978
Naturalidade:
Rio de Janeiro
Suburbio de Origem:
Niterói
Período de Moradia Suburbana:
1978
até 2001
Definição de Suburbio: Era
Niterói mesmo. Não era São Gonçalo
nem Alcântara. Mas bem que esse pessoal de São
Gonçalo e Alcântara tem mania de dizer que mora
em Niterói. assim como Niteroiense, pra quem é
de fora, diz que mora no Rio. Subúrbio é conhecer
todo mundo onde você mora, e todo mundo saber da vida
de todo mundo, e saber mais coisas sobre você do que
você mesmo (sabia que eu fui pro exterior pra ter meu
filho em paz? pois é, eu não sabia).
Nome:
Lila
Nascimento:
12/02/1980
Naturalidade:
Rio
de Janeiro
Suburbio de Origem:
Méia,
Riachuelo, Irajá, Vila Isabel ou seja, suburbana intinerante.
Período de Moradia Suburbana:
1980
até hoje.
Definição de Suburbio:
É porta
aberta, as criança tudo correndo, sair pegando
doce no dia de São Cosme e São Damião
e fazer promessa pra subir a igreja da Penha de joelhos pela
graça alcançada.
Nome:
Carla
Nascimento:
08/02/1980
Naturalidade:
Rio de Janeiro
Suburbio de Origem:
Vila da Penha
Período de Moradia Suburbana:
1988 até hoje. Antes
disso eu era Baixada Fluminense.
Definição de Suburbio:
Andar de chinelo pelas ruas.
Mas não de "Kenner" ou de Havaianas "Fashion". O lance
era havaiana das antigas, e sandália "Samoa".
Nome:
Cinha
Nascimento:
24/09/1984
Naturalidade:
Rio de Janeiro
Suburbio de Origem:
Nasci no Leblon, mas morava no Encantado, ou seja, Zona Sul Wannabe desde que nasci. Depois Engenho de Dentro, mas dizia ser Méia, e, por fim (ou não), Inhaúma.
Período de Moradia Suburbana: 1984 até hoje.
Definição de Suburbio: Fazer festa de primo com tema de futebol, no quintal onde mora toda a família, colocar toldo-pára-quedas se chover e lavar o quintal no dia seguinte.
Nome:
Robs
Nacimento:
03/06/80
Naturalidade:
Rio de Janeiro
Subúrbio de origem:
Vaz Lobo
Período de Moradia Surbana:
1980 a 1986
Definição de subúrbio:
Ensaios exaustivos
de quadrilha de São João para representar bonito seu bairro em festas
juninas pela cidade, pegar doce de Cosme e Damião e assistir às
Copas do Mundo com os vizinho tudo no meio da rua.
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Domingo, 31 de Agosto de 2003
O uniforme oficial da suburbana de mais de 50 anos
Pra ir na quitanda, supermercado, casa da vizinha e levar filhos e netos pro colégio, a suburbana usa sempre seu uniforme oficial: calça ou bermuda de lycra com camisetão por cima (antigamente a moda eram as camisas drops de anis, mas hoje em dia devem ser aquelas promocionais e de reveillon mesmo) e o tradicional pochetão, que divide as pelanca tudo em dois hemisférios.
Cris França às 21:10 | onSexta, 22 de Agosto de 2003
Da utilidade do colchão do suburbano
Debaixo do colchão não tem dinheiro, tem papel de presente e bolsa de loja, pois um dos maiores hobbys do suburbano é colecionar papel de presente e bolsa de loja. Reciclar é a palavra chave. Você compra um presente no camelô ou na citycol, põe numa caixa de uma loja de marca e entrega o presente. O presenteado finge que acredita e o suburbano finge que foi bastante convincente.
Dar presente pra minha avó era algo de dar nos nervos. Ela sempre levava horas pra desembrulhar o presente, pra não danificar o papel de presente, para reciclagens futuras. Era batata. O papel de presente do aniversário dela em fevereiro era mandado de volta pra gente embrulhando o presente de Natal.
Cris França às 17:13 | on
Uma visita mau-humorada ao supermercado
Eu sei que isso é tema recorrente aqui. Mas sempre há algo de inusitado para acrescentar.
“Nutella, nutella, nutella”, eu pensava. A iguaria pervertida por maioria de votos. Mamãe não entendia meu sorriso malicioso, ainda mais sabendo que detesto idas ao mercado. Pudera. O que mais eu faria na Casas Sendas, filial Méier, oops, perdão, Méia, em plena sexta-feira, senão pensar em perversões achocolatadas para passar o tempo ?
Estávamos na fila para pesar legumes :
- Magrela, precisamos comprar Nutella.
- Você não acha que já está bem grandinho, não ?
- Ué ? Só porque cresci, vou ter que parar de comer chocolate ?
Uma pessoa, claro, entra na conversa.
- Liga não, minha fia, que essas garotada de hojindia parece que não cresce mermo.
O mau-humor em pessoa tenta se pronunciar. Magrela, claro, me corta logo.
- E o que a sra…
“Rafa, calaboca…”, mamãe disfarça.
- Quer saber ?! Eu não cresço mesmo. Nem quéio. Eu sou o Peter Pan. Vou voando pegar geléia de mocotó e já volto.
Virei as costas. Magrela segurando o riso. Quando volto, saco de rosquinhas Mabel e geléia de mocotó na mão, encontro a moça ainda puxando papo com mamãe. TÃpico. No subúrbio, as pessoas vão a qualquer lugar como quem vai a clube recreativo. Roupas esportivas e muita conversa fiada. Era uma senhora peculiarmente suburbana. Dessas que a Glória Perez gosta de estereotipar. Falava muito errado e utilizava muitas gÃrias de novela. Era até simpática. As pessoas no subúrbio são simpáticas, apesar de tudo.
Mas hoje é sexta-feira, então o Batata anunciou oferta. E lá estava uma massaroca de suburbanos, esbarrando-se e esbofeteando-se para comprar camarão cinza, em promoção. Uma turba de pochetes, camisas promocionais e carrinhos de feira. Alguém já reparou naquelas vovós que vão ao mercado levando o carrinho de feira ? Pois é. Isso até me passava desapercebido, até que uma distinta passou com o carrinho do supermercado sobre o meu pé, na maldita fila. Um pequeno adendo : suburbano não sabe mesmo dirigir. A quantidade de acidentes com carrinhos de supermercado que vi em 40 minutos lá dentro foi um absurdo. Um dando fechada no outro, parando carrinho no meio do corredor, passando por cima do pé dos outros. Deus me livre cruzar com esse povo de carro, pela aÃ.
OK… mas e aà ? E o que isso tem a ver com o carrinho de feira, Hazel ?
Enfim, quando olhei, a distinta senhora estava empurrando o carrinho do supermercado com o carrinho de feira, fechado, dentro. Por cima do meu pé. Prosaico. A dor passou na hora. Caà na gargalhada. Magrela, a cara rachada de vergonha, me beliscava. E eu ria mais.
Depois de ter feito amizade com mais meio mundo, saÃmos da fila. Pé dolorido, olhos vermelhos depois de ter chorado de tanto rir. Tomamos o corredor rumo aos caixas. AlÃvio. Desopilei o fÃgado de tanto rir, como dizem aqui no subúrbio.
E quando Ãamos embora, ela pergunta :
- Filho, não estamos esquecendo de nada ?
- De levar Nutella !
Eu sou um incorrigÃvel.
.Hazel. às 11:39 | 1 Caléga!Quarta, 20 de Agosto de 2003
DECORAÇÃO DA CASA SUBURBANA – O QUARTO
O quarto do casal suburbano de meia idade conta com uma cama de casal (que sempre tem um monte de tralhas guardadas embaixo) coberta com uma bonita colcha, em geral estampada, com babados nas laterais. Almofadas. Cortinas volumosas.
Um console na parede, acompanhado de um espelho: a opção de penteadeira pra quem tem pouco espaço. Mesinhas de cabeceira, como de costume. O armário duplex de quatro portas. Tudo da mesma linha de móveis, claro.
Já o quarto dos adolescentes/jovens conta com camas de solteiro ou beliches, dependendo do espaço disponÃvel. Uma escrivaninha, daquelas que mais parecem um armário e que abrem uma mesinha.
Prateleiras desencontradas ou em Z. As cortinas geralmente do tipo painel, bege com uma faixa no meio combinando com a cor do bandô (é assim que se escreve isso?) e com o resto dos detalhes da decoração do quarto. Bichos de pelúcia, lembranças de viagens a Porto Seguro, troféus, medalhas ou objetos de time de futebol.
Todos os móveis podem ser de madeira (cerejeira ou mogno) ou de metal pintado.
Rach às 23:54 | on
DECORAÇÃO DA CASA SUBURBANA - A COZINHA
O lugar preferido do lar suburbano é a cozinha.
Porta de entrada da casa, como minhas calégas bem destacaram. Sempre tem lugar pra uma mesinha que abre e fecha (ou aquelas presas na parede) e uns quatro banquinhos. De fórmica. Porque suburbano A-DO-RA sentar na cozinha pra comer e conversar. Sempre tem um saco de pão em cima da mesa.
Aquele suporte para rolos de papel laminado, plástico filme e toalha de papel na parede. O filtro em forma de uma fruta gigante (uma laranja, uma maçã). O bujão de gás devidamente coberto com uma capa própria.
Fruteira de rodinha, com uns três andares. Guardados nela os arames coloridos de fechar pacote de pão de fôrma. Sacos de biscoito fechados com pregador de roupa.
Dentro da geladeira, sempre tem refresco na jarra de plástico. Manteiga, queijo e mortadela. Refrigerante genérico. Vários potes de comida do almoço ou do jantar de ontem. Muitos ovos (isso quando eles não estão guardados na galinha de arame, fora da geladeira). Leite, muito leite. E um doce: pavê de biscoito maizena, manjar, doce de abóbora.
Uma delÃcia a cozinha suburbana.
Rach às 23:52 | onTerça, 19 de Agosto de 2003
Lembranças de um lar suburbano.
Na legÃtima casa suburbana o entra e sai dos moradores é feito pela porta da cozinha. Abrir a porta da sala, só em dia de visita importante (avós e tias não contam). Tanto que a porta lá da sala da minha casa era meio emperrada, pelo desuso.
Entar pela cozinha pra tirar o sapato por lá pra não sujar o resto da casa. E chinelo só é usado dentro da cozinha.
Na casa dos meus avós era praticamente uma casa japonesa. Todo mundo era obrigado a tirar os sapatos, senão meu avô brigava. Tanto que minha tia uma vez brigou sério com o meu avô, sendo que o estopim foi que ela não quis tirar o sapato pra entrar.
Tá, isso não foi suburbano, foi coisa de maluco mesmo. Melhor eu fazer um Familia França tales. :P
Cris França às 16:21 | onDomingo, 17 de Agosto de 2003
DECORAÇÃO DA CASA SUBURBANA - ORNAMENTAÇÃO E AFINS
Há alguns anos, toda - eu disse toda - sala de estar ou cozinha , de acordo com o freguês, tinha aquele relógio horroroso do Paraguai que já foi comentado aqui. Lá em casa no Irajá tinha. E todos os vizinhos também ostentavam os seus.
As calégas esqueceram, mas eu lembro. A sambambaia também não faltava na sala - ou varanda, quando tinha. Ficavam todos aqueles suportes com centos xaxins com samambaias choronas entre alguma coisa grande ( estante, rack etc ) e a janela, porque elas gostam de sol atravancando todo o caminho das pessoas da casa. Um luxo.
Ainda no quesito plantas, mais alguém lembra do dólar? Que todo mundo que ia numa casa onde tinha uma dessas bastante garbosa pedia uma mudinha e plantava , também no maldito xaxim, e regava e esperava, porque diziam que quanto mais bonita a planta, mais a vida andava pra frente. Pois é…
O rack. Esse pobrezinho é chamado de tudo pelos suburbanos. De rex, réquis, ráque, orréque e o que mais esse povo consiga inventar. O fato é que desde o surgimento do móvel ele ganhou espaço e status no coração suburbano. E ele fica lá, na sala, portentoso, com a TV em cima, o rádio no meio e os CDs do lado. Sem mencionar os que têm portinhas e milhões de coisas nessas portinhas.
Lá em casa mesmo, minha avó pegou uma móvel lindo e transformou num rack…
Lilaise às 20:22 | onQuarta, 13 de Agosto de 2003
DECORAÇÃO DA CASA SUBURBANA - A SALA DE ESTAR
A sala de estar do lar suburbano conta com uma estante de mogno e/ou cerejeira onde ficam guardados álbuns de famÃlia, lembrancinhas de festa de aniversário de 1 ou 15 anos dos parentes e dos vizinhos (existe toda uma sorte de bibelôs), um Buda ou boneco que traga algum tipo de sorte/proteção (como aquele que não lembro o nome, mas tinha um buraco na boca pra colocar um cigarro), canecas de chope comemorativas, a enciclopédia, sem falar no 3 em 1 (e aquela coluna especial pros cds) e na TV, claro.
O estofado volumoso e muitas vezes estampado, combina com a cortina também farta. A mesa de jantar redonda que abre pra ficar maior em dia de festa e não ocupar espaço no dia-a-dia.
Carpete no chão, lustre. Paredes branco gelo. Os quadros variam, podendo ser os de foto de bebê ou não!
Nas salas um pouco mais espaçosas, a presença de um bar é obrigatória. Todos os copos, garrafas de todo tipo de bebida, como se suburbano gostasse de beber outra coisa que não cerveja. O bar pode ser daqueles que possuem um verdadeiro balcão e banquetas; ou daqueles que aproveitam uma quina de parede.
Na minha casa existe um bar até hoje. É o ranço, como diz a Cris.
Rach às 16:06 | onTerça, 05 de Agosto de 2003
DECORAÇÃO DA CASA SUBURBANA
Todo lar suburbano reserva uma parede para exibir a beleza da família.
São aqueles quadros grandes da foto do bebê, em preto e branco, que toda mãe orgulhosa ostenta do filho!
Nos mais antigos eram várias fotinhos juntas no mesmo quadro, do neném hoje cinquentão.
Obrigatório.
Rach às 4:02 | onSegunda, 04 de Agosto de 2003
As Podroniéres suburbanas
O Podrão (cachorro-quente) é uma instituição suburbana. O podrão é o cachorro-quente com milhares de ingredientes dentro, de ketchup à uva-passa. Do milho verde ao ovo de codorna. Tem de tudo dentro, mesmo, menos aquela nojeira de purê de batata, pq isso é coisa de suburbio de outra cidade.
Foi também no suburbio que surgiu o X-Tudo, a versão podrão para hamburgeres. O X-Tudo é uma coisa monstruosa, uma verdadeira refeição, e seu estômago suburbano consegue ser alimentado por muito pouco.
Agora o Mac Donald`s de certa forma invadiu o suburbio, mas o barato mesmo do suburbano é parar num trailler e pedir um Podrão. Geralmente, os clientes são conhecidos, e batem ponto todo o final de semana. É uma espécie de Cheers-where-everybody-knows-your-name. A podroniére, neste caso vira um ponto de encontro social do bairro, onde todos se encontram pra tomar cerveja e comer podrão.
A maior Podroniére ao ar livre conhecida no suburbio foi a Praça da Cetel, na Vila da Penha. Na verdade, ela não se chamava Praça da Cetel, mas era conhecida assim por ter uma Cetel (Companhia telefônica dos suburbanos, até ser fundida *ui* com a Telerj, atual Telemerda) em frente à praça. Todo o final de semana, era obrigatório parar na praça, que era enorme e cercada de traillers, que colocavam suas mesinhas - todas sempre ocupadas - na calçada pra galera ficar à vontade. Querendo pegar alguém, lá era o lugar certo. Todos os aborrecentes da região batiam ponto na Praça da Cetel, e ficavam lá como ficavam nas festas de rua, andando pra baixo e pra cima sem fazer porra nenhuma de especÃfico.
Um belo dia, o Sr. Prefeito César Maia decretou o fim da Podroniére. Todos os traillers foram expulsos da praça, e os podrões tiveram que se mudar de mala e cuia pelas ruas do bairro e redondezas. Lamentável. :(
Cris França às 21:39 | on